29.11.17

NAMORAR

Namorar parece uma coisa simples, mas não é. À medida que a idade avança começam muitos problemas. São elas que estão traumatizadas, eles que têm pressa a mais, a conversa que fica sem nexo, o jantar que fica frio. E, no entanto, aos 60 anos todos precisamos uns dos outros. Lembro que quando era jovem tinha vergonha de me declarar. Hoje não tenho nenhuma vergonha. O resultado é o mesmo. A empatia do amor não vem da desesperança que sentimos pela vida. O amor é a esperança que temos pela vida. Serei sempre um romântico disfarçado de homem. Um homem desorientado perdido de amores e carente de afectos. A vida acaba e ficamos sem saber o que foi tudo isto. Uma breve incursão sobre o tempo? Um reduzido espaço para criar descendência? Um amor fugaz para distrair a morte? Uma morte súbita sem charme nem dor?

8.11.17

SOLIDÃO

Fui e voltei. Andei e revoltei. Fiquei só qual pinheiro isolado neste Verão de chamas incendiárias. À minha volta nada existe excepto uns congelados solitários armazenados no frigorífico para atenuar a incapacidade doméstica. Estou sozinho. O meu amor fugiu. Culpas não sei. Saudades todas. Admiro os que escrevem sobre política, criticam livros, ou comentam a TV. Gente feliz. Não sofrem, não se angustiam. Limitam-se a brincar com palavras. Como eu queria entrar nesse jogo. A solidão é um luto devastador, uma dor que se eterniza. Até quando?